Outono e inverno aumentam os casos de síndromes gripais em crianças: pediatra alerta que não existe fórmula milagrosa para fortalecer a imunidade

Pediatra Letícia Passos responde 5 perguntas que podem ajudar pais e responsáveis a atravessar o período de maior circulação das síndromes gripais na infância.

Com a chegada do outono e do inverno, aumentam também os casos de gripe, resfriados e viroses respiratórias entre as crianças. Nesta época do ano, é difícil encontrar uma família que não tenha um pequeno doente por perto. Mas alguns cuidados simples podem ajudar tanto na prevenção quanto na recuperação. Na entrevista abaixo, a pediatra faz um alerta importante: não existe fórmula milagrosa para fortalecer a imunidade infantil, mas hábitos saudáveis fazem diferença no dia a dia. 

Bula – Por que as síndromes gripais aumentam tanto no outono e inverno entre as crianças?

Dra Letícia Passos – No outono e inverno, as crianças costumam passar mais tempo em ambientes fechados, com pouca circulação de ar e maior contato umas com as outras, principalmente em escolas e creches. Além disso, o clima mais frio e seco favorece a circulação dos vírus respiratórios, aumentando os casos de gripe, resfriados, bronquiolite e outras viroses respiratórias.

Bula – Quais são os principais sintomas que os pais devem observar e quando o quadro deixa de ser considerado “comum”?

Dra Letícia Passos – Os sintomas mais frequentes são coriza, nariz entupido, tosse, febre, espirros, dor de garganta, cansaço e diminuição do apetite. O quadro passa a exigir mais atenção quando a criança apresenta dificuldade para respirar, febre alta persistente, sonolência excessiva, chiado no peito, recusa importante de líquidos, lábios arroxeados ou uma piora significativa do estado geral. Também é importante observar quando os sintomas parecem melhorar e depois retornam de forma mais intensa.

Bula – Em quais situações é importante procurar atendimento médico imediatamente?

Dra Letícia Passos – O atendimento deve ser procurado rapidamente quando a criança apresenta respiração rápida ou com esforço, afundamento das costelas, muita prostração, dificuldade para acordar, sinais de desidratação ou piora rápida do quadro. Também merece atenção quando a criança não consegue se alimentar ou mamar adequadamente ou apresenta coloração arroxeada nos lábios. Em bebês menores de três meses, qualquer episódio de febre já deve ser avaliado por um médico.

Bula – Quais cuidados realmente ajudam na recuperação da criança durante uma gripe ou virose respiratória?

Dra Letícia Passos – Os principais cuidados envolvem manter a criança bem hidratada, fazer lavagem nasal com soro fisiológico, respeitar o repouso e oferecer alimentação leve, de acordo com a aceitação da criança. O controle da febre, quando necessário, além de um ambiente ventilado, carinho e conforto, também ajudam bastante na recuperação. A maioria das gripes e viroses respiratórias é causada por vírus, por isso nem sempre há necessidade de antibióticos. 

Bula – Existe algo que realmente fortaleça a imunidade infantil ou muitos hábitos e suplementos acabam sendo mito?

Dra Letícia Passos – A boa imunidade infantil está muito mais ligada aos hábitos do dia a dia do que a fórmulas milagrosas. Sono adequado, alimentação equilibrada, vacinação em dia, atividade física, exposição saudável ao sol, redução do excesso de telas e uma boa saúde emocional fazem diferença no fortalecimento do organismo. Alguns suplementos podem ser indicados em situações específicas, mas a avaliação deve ser individualizada, evitando excessos e promessas sem comprovação.

Dra. Letícia Passos Moreira é médica formada pela Universidade Federal de Sergipe, onde também concluiu sua residência médica em Pediatria. Possui pós-graduação em Neonatologia pelo IBCMED, em São Paulo, e pós-graduação em Ultrassonografia Pediátrica e Neonatal pelo CETRUS, referência nacional em diagnóstico por imagem. Atua com foco em pediatria humanizada, acompanhamento do desenvolvimento infantil e cuidado neonatal especializado.

Por: Rafaella Vieira