Uso do celular no banheiro pode aumentar risco de hemorroidas, alerta especialista

O hábito de usar o celular no banheiro, especialmente sentado no vaso sanitário por longos períodos, tem chamado a atenção de especialistas após estudos associarem o comportamento ao aumento do risco de hemorróidas. O problema, que afeta milhões de brasileiros e ainda é cercado por tabus, pode causar dor, sangramento e desconforto, impactando diretamente a qualidade de vida. Ao mesmo tempo, os avanços da medicina têm transformado o tratamento da doença, com técnicas menos invasivas e recuperação mais rápida, como os procedimentos a laser. Sobre os sinais de alerta, prevenção e a evolução no tratamento das hemorroidas, conversamos com o médico coloproctologista Felipe Torres.  

1. As hemorroidas ainda são cercadas por muito tabu e medo do tratamento. Hoje, o que mudou nos procedimentos e como o laser tem transformado a recuperação dos pacientes?

FELIPE TORRES –  O grande medo sobre o tratamento das hemorroidas é porque historicamente os pacientes sentiram muita dor após as cirurgias. Além de ser uma área íntima que gera constrangimento em muitos pacientes ao falar sobre o tema. Então por anos, várias técnicas foram tentadas para diminuir essa dor. Agora, com o laser de CO2, realmente temos uma tecnologia que reduziu em pelo menos 50% a dor do paciente. Isso é animador e tem transformado o pós operatório dos pacientes, com recuperação mais precoce às atividades e menor desconforto.

2. Quais são os principais sinais de alerta de que a hemorroida precisa de avaliação médica e não deve mais ser tratada apenas com medidas caseiras?

FELIPE TORRES – Se o paciente tem sangramento ao evacuar praticamente diário, ou se nota prolapsos (inchaço na região por saída de tecido hemorroidário) que necessitam ser empurrados para voltar a posição normal, isso denota que o paciente tem provavelmente um grau mais avançado de hemorróidas. 

Mas eu diria que qualquer sintoma que gere desconforto constante na região anal, deve ser investigado por um especialista, muitas vezes pra diagnóstico diferencial com outras doenças, como condilomas (lesões por HPV), fissuras, ou mesmo tumores. 

3. O tratamento a laser realmente reduz dor e tempo de recuperação? Para quais casos ele é indicado e quais benefícios o paciente costuma perceber no pós-operatório?

FELIPE TORRES – Sem dúvida. O laser por fazer um corte mais preciso e um dano tecidual menor, provoca menor dor e cicatrização mais rápida no pós,  além de uma cicatrização mais estética, mais previsível. Os pacientes percebem que quando conversam com pessoas que se submeteram a uma cirurgia convencional, a diferença dos relatos em termos de conforto pós operatória é gritante. Em resumo, menos dor, melhor resultado estético, retorno mais precoce para o trabalho. Tive pacientes que em 1 semana voltaram a trabalhar e outros que disseram que não precisaram de analgésicos no pós, mesmo eu tendo prescrito. Isso era impensável anos atrás. 

Foto equipe Dr. Felipe Torres

4. O hábito de usar celular no vaso sanitário tem sido apontado como um fator de risco para hemorroidas. Esse comportamento realmente pode agravar o problema e quais orientações o senhor costuma dar aos pacientes para prevenir a doença?

FELIPE TORRES – Eu diria que ficar no vaso sanitário mais do que 5 minutos é um fator independente MUITO importante para causar hemorroidas, ou piorar em quem já as possui. A posição  no vaso, cria um “garrote”, impedindo o retorno venoso do sistema hemorroidário, fazendo com que todo o sangue que chega ali nos vasos fique congesto, aumentando de tamanho e aumentando risco de trombose (formação de coágulos) e de sangramentos. 

A recomendação é evitar levar celular, livros ou qualquer distrativo que possa aumentar esse tempo sentado no vaso sanitário.

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Dr. Felipe Torres é especialista em coloproctologia e endometriose, é pioneiro em cirurgia robótica em coloproctoliga e endometriose no Estado de Sergipe. Alia excelência técnica e abordagem humanizada em seus atendimentos.

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Por Rafaella Vieira