“Se podemos prevenir, por que não fazer?” Pneumo infantil, Talita Cerqueira, alerta sobre os perigos de adiar vacinas.

Em meio ao aumento dos casos de doenças respiratórias e à circulação intensa de vírus nesta época do ano, a vacinação segue sendo uma das estratégias mais eficazes para prevenir complicações, internações e mortes. Mesmo assim, dúvidas e informações equivocadas ainda fazem muita gente adiar ou evitar a imunização. Afinal, vacina causa gripe? Criança resfriada pode se vacinar? E quais são os riscos de manter o cartão vacinal desatualizado? Nesta entrevista, a pneumologista infantil, Talita Cerqueira, esclarece os principais mitos e reforça a importância da proteção coletiva.

1. Existe muita gente que diz: “Tomei vacina e gripei”. A vacina da gripe pode causar gripe? Por que esse mito ainda é tão comum?

    A vacina da gripe não causa gripe, porque o vírus presente na vacina é inativado, ou seja, está morto e não tem capacidade de provocar a doença.

    O que acontece é que a campanha de vacinação contra a influenza costuma ocorrer em um período do ano em que a circulação de vírus respiratórios já está em andamento. Antigamente, a vacina era disponibilizada até agosto e voltava a ser ofertada por volta de março do ano seguinte, já que sua composição é atualizada anualmente para acompanhar as cepas em circulação.

    Nos últimos anos, passamos a ter a vacina disponível durante todo o ano, o que amplia a proteção da população. Ainda assim, muitas pessoas não se vacinam anualmente. Com isso, não é raro que alguém receba a vacina e, coincidentemente, contraia uma infecção viral na mesma época. Quando isso acontece, algumas pessoas acabam atribuindo o quadro à vacina, quando, na verdade, trata-se apenas de uma coincidência temporal.

    2. Muitas mães ficam em dúvida: criança gripada, resfriada ou com febre pode tomar vacina? Em quais situações é preciso adiar a imunização?

      O único motivo para adiar a vacinação é a presença de febre. Nesses casos, a criança deve permanecer afebril por pelo menos 48 horas antes de receber a vacina.

      Além disso, existem situações muito específicas que devem ser avaliadas pelo médico assistente, como pacientes imunossuprimidos ou em uso de tratamento imunossupressor. Ainda assim, essas condições geralmente não constituem contraindicações à vacinação; apenas exigem o planejamento do momento mais adequado para sua realização.

      3. Quais são os riscos reais de deixar o cartão de vacinação desatualizado, especialmente para crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias?

        Ter uma dessas doenças pode, dependendo do agente envolvido e da gravidade do quadro, ser fatal. Se eu não me vacino contra o pneumococo, posso desenvolver uma pneumonia que talvez necessite apenas de medicação oral, mas que também pode evoluir com complicações e exigir até mesmo uma intervenção cirúrgica.

        Não há como prever se o quadro será simples ou se poderá se tornar grave, com risco à vida. Por isso, se temos a oportunidade de nos prevenir, por que não fazê-lo?

        4. Além de proteger quem toma a vacina, qual é o impacto da vacinação coletiva na prevenção de surtos e na redução das internações?

          Quando a população se vacina, reduzimos a circulação desses agentes e, consequentemente, protegemos também aqueles que não podem ser vacinados. Além disso, diminuímos o risco de formas graves da doença, o que reduz as idas ao hospital e as internações.

          Dessa forma, mantemos um fluxo mais tranquilo nos serviços de saúde, permitindo que os casos que realmente não podem ser evitados recebam a assistência necessária.

          5. O cartão de vacina atualizado ainda é uma das formas mais eficazes de prevenir doenças? Quais imunizantes merecem atenção especial neste momento?

            Com certeza, a melhor estratégia de prevenção é a vacinação. Os imunizantes mais importantes nesta época do ano são as vacinas contra a influenza e contra o pneumococo. Inclusive, houve uma mudança importante no protocolo do SUS: antes, era oferecida a vacina pneumocócica 10-valente (VPC10) e, agora, passa a ser ofertada a vacina pneumocócica 20-valente (VPC20).

            Além disso, contamos com o Nirsevimabe, um imunizante que protege contra a bronquiolite causada pelo vírus sincicial respiratório (VSR).

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            Médica formada pela Universidade Federal de Sergipe com residência em Pediatria pelo Hospital Santa Isabel e especialização em Pneumologia Pediátrica pelo Instituto da Criança da FMUSP (ICR-FMUSP). Possui título de especialista em Pediatria e Pneumologia Pediátrica pela AMB e é sócia da clínica Pediatria com Amor.

            Siga Dra. Talita no instagram – https://www.instagram.com/dratalitacerqueira

            Por Rafaella Vieira