Anvisa aprova novo medicamento oral para câncer de mama avançado

Novo tratamento é indicado para pacientes com câncer de mama avançado ou metastático que já passaram por terapia hormonal e apresentam uma mutação genética específica.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro do medicamento Inluriyo® (tosilato de inlunestranto), uma nova opção de tratamento oral para pacientes com câncer de mama avançado ou metastático. A decisão foi publicada em 22 de junho de 2026 e amplia as alternativas terapêuticas para um grupo específico de pacientes que já receberam tratamento hormonal anteriormente.

O medicamento é indicado para adultos com câncer de mama localmente avançado — quando o tumor não pode ser removido por cirurgia — ou que já se espalhou para outras partes do corpo. Além disso, os pacientes precisam apresentar características específicas do tumor: receptor de estrogênio positivo (ER+), HER2-negativo (HER2-) e mutação ESR1.

O que significa essa aprovação?

O câncer de mama é o tipo de câncer mais frequente entre as mulheres brasileiras. Segundo dados citados pela Anvisa, foram estimados mais de 73 mil novos casos da doença no país entre 2023 e 2025, representando cerca de 30% de todos os cânceres diagnosticados em mulheres.

Nos casos avançados da doença, é comum que algumas pacientes desenvolvam resistência aos tratamentos hormonais utilizados inicialmente. A mutação ESR1 é uma das alterações genéticas associadas a essa resistência, reduzindo a eficácia de determinadas terapias endócrinas.

É justamente nesse cenário que o novo medicamento poderá ser utilizado.

Como o medicamento funciona?

O Inluriyo® é administrado por via oral e pode ser utilizado sozinho, sem necessidade de combinação com outros medicamentos. Ele atua bloqueando a atividade dos receptores de estrogênio presentes nas células tumorais, ajudando a reduzir o crescimento do câncer em pacientes selecionados.

Embora a aprovação represente um avanço importante, especialistas destacam que o medicamento não é indicado para todos os casos de câncer de mama. A definição do tratamento depende de exames que identificam o perfil molecular do tumor e da avaliação individual feita pelo oncologista.

Por que isso importa?

A chegada de novas terapias amplia as possibilidades de tratamento para pacientes que já esgotaram algumas opções disponíveis. Em oncologia, cada nova alternativa pode representar mais controle da doença, maior qualidade de vida e potencial prolongamento da sobrevida.

Além disso, a aprovação reforça o avanço da chamada medicina personalizada, que utiliza características genéticas do tumor para direcionar tratamentos mais adequados a cada paciente.

O que muda agora?

Com o registro aprovado pela Anvisa, o medicamento passa a poder ser comercializado no Brasil. No entanto, a disponibilidade efetiva para os pacientes dependerá de etapas como definição de preço, distribuição e eventual incorporação aos sistemas público e suplementar de saúde.

Para pacientes e familiares, a notícia representa mais uma possibilidade de enfrentamento da doença em fases avançadas, especialmente quando os tratamentos hormonais convencionais deixam de apresentar resultados satisfatórios.

Por Rafaella Vieira