Infectologista Gabriela Fontes explica quando é possível cuidar em casa e quando é hora de procurar atendimento.
A febre é um sintoma comum e, quase sempre, vem acompanhada de preocupação. Mas será que ela é, de fato, um sinal de algo grave? Na maioria das vezes, não. O aumento da temperatura corporal é uma resposta natural do organismo a infecções e inflamações do dia a dia, como gripes e viroses. O mais importante é observar como essa febre se manifesta e quais outros sintomas aparecem junto. Quem esclarece o assunto é a médica infectologista Gabriela de Queiroz Fontes, que explica quando é possível cuidar em casa e quando é hora de procurar atendimento médico.
BULA – Febre em adulto é sempre sinal de algo grave?
Dra Gabriela Fontes – Não. Na maioria das vezes, febre não significa algo grave. Ela é um sinal de que o corpo está reagindo a alguma infecção ou inflamação. Pode acontecer, por exemplo, em viroses comuns, gripes, infecções de garganta e outras situações do dia a dia. O mais importante não é a febre em si, mas o contexto: intensidade, duração e, principalmente, os sintomas que vêm junto.
BULA – Então existe uma temperatura considerada “ok”?
Dra Gabriela Fontes – Sim. A temperatura habitual do adulto varia de 36°C a 36,7°C, e consideramos febre a temperatura acima de 37,8°C. O alerta começa quando a temperatura sobe mais ou vem acompanhada de mal-estar intenso.
BULA – Quando a febre começa a preocupar de verdade?
Dra Gabriela Fontes – A febre preocupa quando está acima de 39°C, quando dura mais de dois ou três dias, ou quando faz parte de um quadro com sintomas de falta de ar, muita fraqueza, confusão mental, vômitos repetidos, rigidez no pescoço, convulsão ou manchas na pele. Nesses casos, não é bom esperar: a pessoa deve ser avaliada por um médico.
BULA – Dá para tratar em casa?
Dra Gabriela Fontes – Na maioria dos casos, sim. Se a pessoa estiver bem, conseguindo beber líquidos, descansar e sem sinais de gravidade, é possível observar em casa, manter boa hidratação, usar roupas leves e, se necessário, tomar um remédio para aliviar o desconforto. O ideal é acompanhar a evolução e procurar atendimento se a febre persistir ou piorar.
BULA – Qual o maior erro das pessoas quando têm febre?
Dra Gabriela Fontes – O maior erro é achar que o problema é só o número do termômetro. Às vezes a febre não é alta, mas a pessoa está muito abatida, com falta de ar ou outros sintomas importantes. Outro erro comum é se automedicar sem orientação e demorar para procurar ajuda quando o quadro foge do esperado.
BULA – Em uma frase: qual o alerta principal?
Dra Gabriela Fontes – Febre nem sempre é grave, mas febre que dura, piora ou vem acompanhada de outros sintomas importantes precisa de atenção médica.
___________________________________________
Dra Gabriela de Queiroz Fontes é médica formada pela Universidade Federal de Sergipe, com residência médica em Infectologia pelo Instituto de Infectologia Emílio Ribas e subespecialização em Infecções no Imunossuprimido pelo Hospital Israelita Albert Einstein.
HTEBula — a saúde explicada de forma simples e confiável.