Mudanças no estilo de vida, vacinação e exames preventivos podem reduzir significativamente o risco da doença, que ainda é cercada por mitos sobre genética e hereditariedade.
Muitas pessoas ainda acreditam que o câncer é uma doença inevitável ou determinada apenas pela genética. No entanto, evidências científicas mostram que uma parcela importante dos casos pode ser evitada por meio de mudanças no estilo de vida.
Segundo informações divulgadas pelo Sistema Integrado de Saúde do Senado Federal, ações de prevenção primária podem evitar até 40% de todos os casos de câncer. O dado reforça a importância de hábitos saudáveis e do acompanhamento regular da saúde ao longo da vida.
Entre os principais fatores de risco modificáveis estão o tabagismo, o consumo de bebidas alcoólicas, a obesidade, o sedentarismo e a alimentação inadequada. O cigarro continua sendo o maior fator de risco isolado para a doença, estando relacionado à maioria dos casos de câncer de pulmão.
Além de abandonar o cigarro — incluindo os dispositivos eletrônicos — especialistas recomendam a prática regular de atividade física. A orientação é acumular entre 150 e 300 minutos de exercícios por semana, além de manter um peso saudável e priorizar alimentos in natura ou minimamente processados.
Vacinas também ajudam a prevenir câncer
Outro ponto importante é a vacinação. Algumas infecções virais estão diretamente relacionadas ao desenvolvimento de tumores.
As vacinas contra HPV e hepatite B são consideradas ferramentas fundamentais de prevenção. O HPV, por exemplo, está associado a cânceres de colo do útero, ânus, pênis e orofaringe. Já a vacinação contra hepatite B ajuda a reduzir o risco de câncer de fígado.
O câncer não depende apenas da herança genética
Um dos mitos mais comuns é acreditar que apenas pessoas com histórico familiar desenvolvem câncer.
Na prática, a maioria dos casos ocorre de forma esporádica. Especialistas estimam que cerca de 90% dos diagnósticos não estão ligados à herança genética, mas ao envelhecimento natural das células associado às exposições ambientais e aos hábitos acumulados ao longo da vida.
Isso significa que mesmo pessoas sem casos da doença na família devem adotar medidas preventivas e realizar exames de rastreamento quando indicados.
Exames podem detectar tumores antes dos sintomas
Além da prevenção, o diagnóstico precoce continua sendo uma das estratégias mais eficazes para aumentar as chances de tratamento e cura.
Entre as recomendações estão o exame preventivo do colo do útero (Papanicolau) para mulheres de 25 a 64 anos e a mamografia periódica para mulheres entre 50 e 69 anos, conforme orientações do Ministério da Saúde e do Instituto Nacional de Câncer (INCA).
O que isso significa para a população?
A mensagem dos especialistas é clara: embora nem todos os casos de câncer possam ser evitados, uma parcela significativa deles está relacionada a fatores que podem ser modificados.
Parar de fumar, manter uma alimentação equilibrada, praticar exercícios, evitar o consumo de álcool, proteger a pele do excesso de sol, manter a vacinação em dia e realizar exames preventivos são atitudes que podem fazer diferença ao longo da vida.
Em um cenário de aumento global dos casos de câncer, investir na prevenção continua sendo uma das estratégias mais eficazes para proteger a saúde da população.
Por Rafaella Vieira